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Tout, trop, toujours: almodovariações


Saturno, o retorno_ parte IV

Toc, toc... é sua quarta visita, se é que eu ainda sei fazer contas simples.

 

Não sei se ele vai encontrar a casa arrumada: já me desfiz e me refiz tantas vezes, derrubei paredes, troquei alicerces, tentei remover ferrugens e outros danos, talvez até com algum sucesso.

 

Toc, toc, toc... ele insiste, é implacável. não sei dizer se vem como um amigo globe-troter que passa de quando em quando, com uma mochila cheia de histórias e alguns presentes, mas sempre com um sorriso no rosto e um abraço gostoso pra me reconfortar.Talvez venha como um oficial de justiça, intimação do Juíz na mão, Aquele do qual eu não escapo, e que não poderei me furtar a assinar, essa prestação de contas, saldo de mais um ciclo.

 

Angustio-me, não importa a roupa que ele vista _ creio que irei decepcioná-lo: em 4 temporadas, não aprendi jamais a tocar nenhum instrumento musical, mal falo duas línguas ( a ex-segunda, que rebaixou-se em terceira,  é mais morta que latim pra mim, ao menos atualmente), não pratico nenhum esporte, não danço, não canto, não sapateio, não me sustento, não tive um emprego decente até hoje, cinco anos além da formatura, vivo perdendo meus amigos queridos de vista, acho que cada vez menos sei demonstrar afeto e ainda tenho medo de gente, sobretudo de pedir qualquer coisa a qualquer um.

 

A lista alonga-se mas eu me permito alguma indulgência, defendo-me: dei uma meia-dúzia de passos pra frente, limpei uns velhos armários, lembrei-me de jogar o lixo fora, construi-me umas estantes, já acerto algumas receitas de bolo, sobrevivo com muitas novas esperanças, ainda que a maioria implique em milagre ou quase (eu não perdi a fé).

 

Não bastasse a sua visita, tinha de ser esta a quarta, só pra aumentar a minha apreensão!... não, não penso na morte chinesa, mas nos grupos fechados, pontuados, na terminação perfeita, na ausência de espaço pra adendos, no fim do ponto final.

 

_ Entre, digo-lhe, por fim, a casa é sua, puxe uma cadeira, ponha-se à vontade, aceita um chá? É verdade, muita coisa mudou e nada mudou, mas eu estava já à sua espera. A fachada pode até mudar, mas você bem sabe que nesta vida, esse é o único endereço que não posso mudar, logo, você sempre me acha. Por fim...

 

... você sempre tem a chave.

 

 



Categoria: volver
Escrito por mademoiselle gauche às 13h40
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Piaffing...

À pequena, que soube se fazer grande.

... enquanto eu, estatura mediana, tortamente acabei pequena.

_ e o banzo aumenta, diretamente proporcional à consciência do fracasso e da vida que podia ter sido e que não foi.



Escrito por mademoiselle gauche às 23h47
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Parente é Serpente

acho que não preciso falar muita cousa...

 

 

 



Escrito por mademoiselle gauche às 18h52
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Do banzo e do cansaço

"Esperando, esperando, esperando"... Pedro Pedreiro Penseiro e eu.

Cansada das "delicadezas perdidas", viva Chico, sempre.

Querendo paz, sossego e arte. E sentido também. Uma anestesia estética, permitam-me o paradoxo.

Sabe, Pessoa (você Iron, e não o Fernando, ao menos não agora), você divagou sobre o que você mostra aos outros, como se permite figurar aos olhos alheios, mas o que eu mais gostei foi da significativa "trombada no espelho".

Não que eu não me interesse pelo mundo exterior, muito pelo contrário (senão, já teria migrado para alguma montanha inóspita e ermitado de vez).

Mas eu quero saber o que encontro no espelho após tempos de ausência...

[ânimos e ânsias acalmados pelo frio, ainda que o preço sejam mãos e pés congelados]



Categoria: falecomela
Escrito por mademoiselle gauche às 00h58
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Ela me conquistou...

Mais: ela me ganhou, me arrebatou! A última diva, a essência uterina, a deusa performática! Crianças, abandonem seus tarja-preta: Kate Bush é a solução!



Categoria: mulheresàbeiradeumataquedenervos
Escrito por mademoiselle gauche às 23h46
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